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sábado, 30 de janeiro de 2010

Ao nosso mestre





KAWAI SENSEI (1931 ~ 2010)

Até este semana, eu nunca havia perdido alguém próximo a mim. E até nesse momento, Kawai sensei me ensinou. Ainda está ensinando...

Kawai sensei é um exemplo de várias maneiras. Com seus muitos problemas de saúde, desde a infância, não deixou jamais de fazer o que acreditava ser o certo. Veio ao Brasil (quantas vezes me contou sobre essa viagem... de navio, sem conforto, com doenças ao seu redor...) sem falar nada de português, apenas o "não falo português". Sozinho. Aos poucos, foi desenvolvendo a acupuntura e o Aikido. Em uma época em que poucos sabiam de acupuntura. Viajou mais no Brasil do que a grande maioria de nós, brasileiros de nascença. Aliás, ele amava este país. Jamais pensou em voltar a morar no Japão.

Lentamente, Kawai sensei divulgou o Aikido. E sempre gostou de viajar. Sempre era convidado para dar seminários em vários cantos do Brasil, bem como em outros países da América do Sul e até da Europa. E sempre levava consigo histórias com muito aprendizado.

Quando voltava, contava da viagem, falava do país ou cidade, e de como as coisas mudaram desde a primeira vez que fora para lá. Nagao sensei disse uma verdade: Kawai sensei sempre foi um estudioso, era muito culto. Eu sempre me impressionava nos conhecimentos dele sobre tudo. Podia conversar sobre praticamente qualquer coisa.

Durante sua vida, ele tocou a vida de milhares. E o interessante, pensando em Aikido, é que não há um aluno seu que seja igual ao outro. A técnica sempre muda, como ele dizia: "cada cada"...

 Quem teve a oportunidade de conhecer um pouco mais dele sabe que ele tinha Aikido na alma. Como Ono sensei falou, "Kawai sensei era Aikido". E uma imagem que nunca mais vou esquecer: Ono sensei, pouco antes de fecharem o caixão, segurou as mãos de Kawai sensei, e entoou uma música japonesa. Mas não terminou, em meio a lágrimas, olhou com muito carinho e disse: "Domo arigato gozaimashita"...

E é isso, só isso, que posso dizer também: KAWAI SENSEI, DOMO ARIGATO GOZAIMASHITA, POR TER MUDADO MINHA VIDA PARA SEMPRE, E POR TER ME ENSINADO QUE HÁ SEMPRE O QUE APRENDER, EM TUDO NA NOSSA VIDA.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aikido, quedas, árvores


Bom,

Aos que visitam este blog, devem estar estranhando minha ausência... Mas tive alguns motivos que justificam essa infeliz falta minha. A principal foi uma lesão no ombro, que aconteceu há aproximadamente um mês. Treinando, claro: a pessoa com quem eu estava treinando aplicou uma técnica de modo incorreto e, para proteger meu cotovelo, acabei machucando o ombro. Fiquei brava, irritada, na hora não doeu, mas no dia seguinte... Nem conseguia erguer o braço acima da altura do ombro! Mas a culpa não foi da pessoa. Foi minha, pois eu deveria ter conseguido harmonizar melhor.

Isso me fez parar um pouco os treinos. Não parei de dar aula, claro, mas fiquei sem treinar por 3 semanas. Semana passada eu retomei, de leve, fiz apenas 3 treinos, mas já foi um alívio! Infelizmente esta semana tive outro probleminha e não pude ir. O ombro? Ah, eu sei, deveria ter ido ao médico, fazer exames... Mas está melhorando, aos poucos. Aliás, depois que retomei, melhorou muitão. Agora é ter paciência e ir devagar, pois a idade pesa justamente na hora da recuperação desse tipo de acidente...

Parei de treinar, mas não de pensar, e achei interessante narrar um fato que ocorreu esta semana, na quarta-feira. Eu fui fazer acupuntura, e na saída, vi um caramujo. Consegui desviar a tempo, e de repente veio um flash de pensamento "nossa, esse bichinho é tão lento...". Tá, é óbvio, mas aí veio um outro flash "A natureza deu a ele uma proteção, um casco para se esconder, e isso acaba salvando-o na maioria das vezes". Aí comecei a pensar que todos os animais tinham alguma desvantagem, mas que, para isso, a natureza lhes deu algo para compensar de certa forma. Esse pensamento passaria batido, mas a revelação de tudo isso veio no final. Eu passo por provações o tempo todo, todos nós passamos. E por que a vida faz isso? Por que tanto sofrimento há alguns anos, sofrimento esse que deixou marcas até hoje, que nunca sairão? Bom, assim como eu tenho essa desvantagem na vida, tenho também algo que compensa tudo isso. O Aikido é minha carapaça, é minha defesa, minha característica. E toda vez que fico mal, triste, ou penso na dor (até mesmo a dor do ombro), penso nos princípios do aikido, e compreendo melhor tudo.

Kawai sensei sempre conta a história do grande carvalho, que quando acumula neve se quebra, e do chorão, que quando acumula neve tomba para o lado, deixando a neve cair, e retoma sua posição. É isso que devemos buscar na vida: as dificuldades vêm, e devemos ser flexíveis o suficiente para lidar com elas sem nos quebrarmos.

Fácil de entender, difícil de fazer, né?

Beijão!

Lúcia

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Aikido forte? O que é ser forte em uma arte marcial?


Pessoal,

Aí vai apenas uma sugestão para se pensar. O que é aikido forte??? Hoje em dia eu vejo ouço muito isso... "aikido forte". E ouço elogios... Mas quando comecei a treinar, diferenciávamos "aikido forte" de "aikido vigoroso", ou mesmo de "aikido "forte"". Como não temos uma palavra para tal diferença, "força físico" e "força interior", muita gente confunde, ainda que toda a história do Aikido nos leve a enxergar a busca pela ausência de força física.

Sou mulher. Quase não tenho força física. E estou tão longe de não usá-la em momento algum... Muitas vezes, sinto-me uma fraca, por não conseguir aplicar uma técnica, ou por ser "travada"... Mas digo àqueles que estão começando a treinar: não ter força física parece ser bom no final das contas, pois é fácil fazer força com o bíceps e não perceber, mas é difícil usar só o koshi e o kokyu... É fácil fazer o uke bater e gritar de dor, uma vez que o uke está literalmente se entregando para o treino, o que é difícil é fazer da torção um tratamento por um bem maior, fazer a dor ser uma evolução para o uke. Não ter essa opção, de usar a força, talvez evite que o praticante se engane no Aikido. O caminho é mais árduo, mas tenho certeza que cada vitória sobre si mesmo é ainda mais emocionante!
Se as artes marciais dependessem de força física, certamente seriam muito poucos os praticantes fortes o suficiente para conseguirem evoluir. Entretanto, vemos pessoas de todos os tamanhos e pesos, e idades, praticando. Não só no Aikido, mas em outras artes também.

Quero aprender cada dia mais, e quero cada dia mais me distanciar do uso da força física. Se isso é possível para mim, eu não sei. Mas é minha busca, e sou feliz com ela. Eu quero, SIM, ser forte, e ter um Aikido vigoroso. Mas quero desenvolver a minha força vital, meu "ki", e não meus músculos... Alguém mais vai por esse caminho?

terça-feira, 25 de março de 2008

Kawai sensei


Apenas uma homenagem a um homem de coragem. Kawai sensei é meu mestre, meu mentor, meu conselheiro, e ainda tenho muito a aprender com ele. Sensei, domo arigato gozaimasu!